OLHARES ETERNOS

Esta série nasceu da vontade de dar vida ao silêncio da escultura clássica.

Sempre me fascinaram esses rostos de mármore, serenos, frios e quase intocáveis, que atravessam os séculos como testemunhas mudas do tempo. Mas, para mim, faltava-lhes algo essencial: o olhar. Esse ponto onde a pedra deixa de ser apenas matéria e começa a revelar alma, memória e inquietação.

Em "Olhares Eternos", imaginei estátuas que não existem, figuras antigas que despertam dentro da pintura e passam a observar-nos. O branco e o cinzento guardam a memória do mármore; o fundo escuro envolve-as num silêncio profundo; e os olhos, intensos e luminosos, tornam-se a vida impossível que rompe a eternidade.

Estas figuras estiveram sempre ali. Ao longo da sua eternidade, parecem ter visto tudo: a beleza e a destruição, a criação e a guerra, a fé, a vaidade, o amor, a ambição e tudo aquilo que a humanidade foi capaz de construir e perder. Não falam, mas olham. E nesse olhar há julgamento, ternura, espanto e talvez uma pergunta silenciosa sobre o que estamos a fazer com o mundo que herdámos.

Esta série é sobre o tempo, a consciência e a permanência. É uma homenagem ao clássico, mas também uma provocação contemporânea: transformar a estátua em testemunha, a beleza em presença, o passado em alguém que nos observa.

.