GEOMETRIA DAS EMOÇÕES
Somos todos feitos de fragmentos.
Nesta série, Hugo Batalha constrói a figura humana a partir de planos, cortes, tensões e blocos de cor. Cada fragmento não é apenas uma escolha formal: é uma emoção, uma memória, uma ferida, uma experiência, um silêncio ou uma luz. A geometria torna-se linguagem interior; a cor transforma-se em matéria emocional.
As obras nascem de uma ideia profundamente humana: ninguém é inteiro de uma só vez. Somos feitos de tudo o que vivemos — dos traumas que nos marcaram, dos desejos que nos moveram, das perdas que nos ensinaram, das alegrias que nos iluminaram e das memórias que continuam a habitar-nos. Em cada tela, o artista transporta para a pintura essa acumulação invisível de vida.
A figura surge fragmentada, mas não destruída. Pelo contrário: é através dos fragmentos que se reconstrói. Rostos, corpos, ícones e presenças reconhecíveis aparecem atravessados por sombras densas, amarelos incandescentes, verdes profundos, azuis nocturnos e laranjas quase ardentes. Há nestas pinturas uma tensão entre caos e ordem, entre vulnerabilidade e força, entre o corpo visível e aquilo que permanece escondido.
A série aproxima-se de uma linguagem figurativa geométrica, com ecos de vitral, mosaico, cubismo emocional e composição teatral. No entanto, mais do que uma procura estilística, estas obras são mapas interiores. Cada linha organiza o caos; cada cor guarda uma memória; cada plano revela uma parte do que somos.
Geometria das Emoções é, por isso, uma série sobre a construção emocional do ser humano. Sobre aquilo que nos parte, mas também sobre aquilo que nos recompõe. Sobre a beleza que nasce da experiência, da dor, da inquietação e da luz. Uma beleza que não é inocente: é vivida, marcada, intensa — profundamente humana.
